Excerpt for A Humanidade Humanizada by Pablo Luis Mainzer, available in its entirety at Smashwords


A Humanidade Humanizada

Pablo L.Mainzer


Smashwords Edition

Copyright 2010-Pablo L.Mainzer


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Apresentação

Caro Leitor,

Este livro é permeado pela ideia da Utopia. Mas você saberia como definir Utopia? Vou tentar ajudá-lo nessa tarefa: É fácil perceber que em todas as definições acima, o sentido de “Utopia“ é tangenciado como uma meta dificilmente atingível. Na realidade existem duas características opostas de utopias: a inexequível e a realizável. A primeira incluiria a ilusão de controle dos fenômenos da natureza pelo homem, como terremotos, erupção de vulcões, queda de raios, tornados etc, o que, sabidamente, pertence às cláusulas excludentes nos contratos de seguro -chamados “atos de Deus”. Já a utopia realizável inclui os fatos controlados pelo comportamento, vontade e ação de seres humanos, sendo essa a que influencia o conteúdo deste livro.

Introdução

Charles Hold, homem de avançada idade, em mais uma de suas noites insones, encontra-se com a mente divagando, ao se recordar do comentário em uma reunião de amigos sobre o excepcional caráter de um amigo em comum. Entre esses até escapara a imperativa afirmação: “se todas as pessoas fossem iguais a ele, o mundo seria diferente!”

A força daquela afirmação se aprofundou de tal maneira em seu espírito, que suas conversas se concentravam numa incipiente filosofia utópica visando “a humanidade humanizada”. Com o tempo, ele foi considerado “um sonhador ingênuo e chato”, e o aparente interesse dos seus ouvintes passou a ser mera hipocrisia.

Sensível que é ao convívio social, Charles Hold não deixou de notar a gradativa redução da qualidade de seu relacionamento com os demais, fator deprimente para seu ego. Uma noite, durante suas costumeiras divagações, nasceu a ideia de materializar a sua filosofia em papel e escrever um livro. Embora reconhecendo que o resultado poderia, talvez, repetir o mesmo fracasso experimentado em seus relacionamentos -considerando-se a utopia de seus pensamentos -, ainda assim, começa a escrever, movido por um impulso irrefreável, a obra “Paz e Amor”.


LIVRO I

A Traição

1

Sábado, 30 de Junho de 2012.

Reunião de emergência convocada pelo Presidente dos Estados Unidos, Frank Montan. Numa sala especial da Casa Branca estão presentes: William Sand, Secretário do Depto.de Defesa; Paul Douglas, do Depto. de Guerra; Herbert Conde, do Depto. de Estado; John Alleg, da CIA. e James Frile, diretor do DAE (Desenvolvimento de Armamento Especial).

James Frile, com expressão séria no seu rosto severo, começa relatando a inesperada ocorrência da noite anterior. Conforme seu relato, o laboratório DAE recebeu às 3:25 h. da madrugada um telefonema da esposa de Henry Olleg, principal cientista que contribuiu para o desenvolvimento da nova arma “Mac”.

-Por favor, peça para o meu marido entrar em contato, pois não consigo acessá-lo pelo celular. -Elisabeth Olleg falou ao seu interlocutor, o segurança de plantão daquela noite, num tom de voz em que demonstrava preocupação. Seu marido ainda não retornara para casa, após ter saído para trabalhar à noite.

-Sim, senhora, vou até à sua sala lhe transmitir o recado e pedir para retornar a sua ligação -respondeu, solícito, o segurança do outro da linha

Resoluto, com passos firmes, se dirigiu ao escritório do Dr, Olleg, onde o encontrou com a cabeça baixa, apoiada na escrivaninha. O funcionário balançou a cabeça, refletindo como o cientista deveria estar exausto pela noite insone. Sacudiu seu corpo sem sucesso. O frasco que esse empunhava na mão caiu ao chão. Horrorizado, o segurança constatou que o Dr, Olleg estava morto. Ao seu lado havia um envelope endereçado à sua esposa e ao Diretor do DAE.

Olhando para todos seus interlocutores, James Frile leu o conteúdo da carta:

Eu, Henry Olleg, sou um traidor perante não somente minha pátria, mas perante o mundo inteiro. Eis os fatos: Para começar, não sou a venerável pessoa que julgam que eu seja. Tenho um grave vicio, que é compulsão pelo jogo. A considerar as minhas atividades profissionais, esse vício me deixou numa posição vulnerável. Eu alegava para minha esposa estar envolvido em projetos secretos que me consumiam horas a mais de trabalho, quando na realidade fazia constantes visitas ao Cassino Royal de Nevada. A minha má sorte com a jogatina afetou não apenas todas as economias de minha família, que tive de deixar no cassino, como também me fez contrair uma enorme dívida com a máfia.

Uma noite, saindo do cassino, no momento de entrar no carro, fui sequestrado por dois homens armados. Pensei que era a máfia para cobrar a dívida, mas depois descobri que não. Me levaram a um lugar do deserto, onde me ameaçaram:

Sabemos que seu nome é Henry Olleg, e é o principal cientista do DAE. Também sabemos que é casado com Da. Elisabeth e tem dois filhos de 4 e 6 anos. O senhor mora na rua Fryling, número 48 e no DAE é subordinado ao seu diretor, Sr. James Frile. O seu órgão está desenvolvendo uma nova arma chamada“Mac“. Temos uma proposta irrecusável a lhe fazer: O senhor nos entrega a fórmula e, para recompensá-lo generosamente, liquidaremos a sua dívida com a máfia e ainda reporemos as suas economias no Royal Bank. Temos recursos que nos permitem garantir que tal operação será totalmente sigilosa, e jamais ninguém desconfiará dessa ação. Agora, se o senhor não aceitar essa proposta e falar com a polícia ou outras autoridades, ou mesmo com algum de seus familiares ou qualquer outra pessoa, liquidaremos a sua vida e a da sua família. Em caso de eventual intervenção da polícia, como ‘terroristas suicidas’ treinados, nos sentiremos honrados em sacrificar nossas vidas”

Não pensem que não me senti numa cilada sem saída: Ao aceitar a proposta, sei que os países e organizações que compõem a lista negra elaborada pelo Departamento de Estado, como o Irã, Coreia do Norte, Sudão, Al-Qaeda, Taleban, e outros poderão desenvolver a nova arma, com o risco de possível extermínio generalizado! Se não aceitar, serei responsável pelo assassinato da minha família, incluindo o meu próprio .

Entretanto, não querendo atenuar minha responsabilidade, tenho consciência de que o desenvolvimento e a produção dessa arma, por ser muito menos complexa que a da arma nuclear, poderia ocorrer de qualquer maneira, independente de minha colaboração.

Assim, se me curvei às exigências dos terroristas, entendam que pelo menos estou tentando salvar a vida dos meus queridos. Eu os amo tanto, Elisabeth, Jonathan e Bruce... Sei que é pedir demais, mas me perdoem, me perdoem, me perdoem... Henry”.

O silencio carregado com a incredibilidade, emoção e preocupação dos presentes é interrompido pelo Presidente, que inquire:

-Senhor Frile, quero saber mais detalhes sobre as características do “Mac”. -seu rosto lívido e crispado demonstra toda a tensão da grave revelação. -E, em especial, em que prazo mínimo esse artefato poderá ser produzido, pronto para uso.

-Senhor Presidente -responde o Diretor do DAE, ainda perplexo pela dramática ocorrência -, essa arma, como se sabe, em virtude da sua constituição gasosa, contrariamente aos artefatos nucleares, não provoca destruições nem radioatividade momentânea ou residual. Entretanto, seu poder letal é tão poderoso, que acaba com toda vida numa extensão cuja ordem de grandeza ainda não podemos determinar; por isso ainda não arriscamos um teste prático. Mas confirmamos a sua eficácia através de uma avaliação de microteste. Aliás, a sua evaporação parece ser de natureza rasteira e a sua ação influenciada por um efeito sinérgico em combinação com as condições climáticas, especialmente com o “efeito estufa”, cada vez mais evidente e preocupante.

O Presidente o corta, um tanto impaciente:

-Em lugar de tanto blablablá, vá direto ao ponto central, considerando as implicações estratégico-militares.

-Senhor Presidente, talvez a nova arma venha a provocar um cataclismo, se confirmada a nossa suspeita com relação à sua capacidade infinita de expansão. Gostaria também de salientar que a sua fabricação é muito menos complicada que a dos artefatos nucleares. As respectivas matérias primas são facilmente acessíveis e dispondo-se da fórmula para a sua produção, poderia estar pronta para uso num prazo estimado de três meses.

-Paul, os lançamentos poderão ser feitas com bombas, mísseis ou torpedos? -O Presidente agora dirige-se ao Secretário do Depto. de Guerra. -E dentro de quanto tempo poderemos utilizá-los?

-Frank, os disparos poderão ser executados com bombas ou mísseis. Dentro de, no máximo dois meses, já disporemos de estoques iniciais dessas munições. Entretanto, devo ressaltar outra característica desse artefato, que nos deixa num grande dilema: poderá estourar tanto pelo violento contato com a terra, como explodir em pleno vôo. Neste caso, dependendo da sua altura, seu impacto poderá será ainda maior e ter uma extensão imprevisível. Pelas mesmas razões, a nossa arma defensiva EAM (escudo anti-míssil), terá exatamente o efeito contrário de seu objetivo -pois ao destruir o Mac, libera seu gás.

-E a CIA, senhor Alleg -indaga o Presidente, pensativo. -, que caminhos tomará para descobrir a tempo onde e quem está produzindo o equivalente ao nosso “Mac”?

-Ainda não sabemos nada, senhor Presidente -responde o homem da CIA -, mas adotarei de imediato medidas para intensificar a infiltração de nossos agentes , nos eventuais países ou grupos fanáticos dispostos a produzir e lançar esse artefato.

O Presidente pondera:

-Analisemos os fatos: nossos agentes verificarão se em algum lugar do planeta está sendo efetivamente produzido um armamento semelhante ao “Mac” e providenciar a destruição preventiva das respectivas instalações. Por outro lado, conforme o tempo passa, sem que nossos agentes descubram algo, os riscos aumentam, assim como as eventuais consequências para toda a humanidade.

Com as mãos crispadas sobre a mesa, conclui com gravidade diante da estratégica e tensa audiência:

-Senhores, terrível responsabilidade pesa sobre nos para definir as melhores ações nessas circunstâncias. Peço a cada um de vocês que quebre a cabeça nos próximos dias pensando nas melhores opções e planos a serem executados . A nossa próxima reunião será na segunda feira às 8 da manhã. Nesse ínterim, absoluto sigilo deve ser mantido sobre esse assunto.

Herbert Conde, do Depto.de Estado, informa que já tomou as medidas para garantir a segurança da família do Dr.Olleg; transferida para outro lugar da União e já com sua identidade substituída.

Sem mais comentários, o Presidente encerra a reunião.


09 de Julho de 2012, 8:00 h.

Tem início a reunião, com o Presidente falando a um grupo de interlocutores atentos e preocupados. A ninguém passou despercebido que a expressão severa estampada no rosto da autoridade máxima da Nação não atenuava sua preocupação, e alguns fios de cabelos brancos tinham ganhado mais espaço na cabeleireira desde a semana anterior:

-Senhores, quero ouvir as opiniões de todos, considerando as piores das hipóteses. Desde que os terroristas da Al-Qaeda atacaram o World Trade Center e o Pentágono, não restam dúvidas de que a organização islâmica prepara novos atentados de natureza catastrófica, possivelmente patrocinados por nações inimigas do Tio Sam.

Admitindo, hipoteticamente, que durante os próximos 3 a 4 meses nossos agentes nada consigam apurar sobre a produção e eventual uso do ”Mac”, quais as medidas apropriadas -para não dizer menos ruinosas -que teremos de arriscar para evitar o pior? Quero ouvir a posição de cada um de vocês.

Paul Douglas, Secretario do Depto. de Guerra toma a palavra:

-Frank, penso que devemos desde já preparar um ataque preventivo amplo e fulminante a todos os países e grupos suspeitos e capacitados em lançar o “Mac” -Dizendo essa frase incisiva, apaga seu cachimbo. -As implicações e riscos envolvidos, se dispuserem dessa arma e decidirem usá-la, a julgar pelas informações do DAE, poderão provocar não apenas a extinção de vidas nos Estados Unidos, mas uma catástrofe mundial.

-Essa proposta, Paul, é um absurdo, pois sem dúvida provocaria uma terceira guerra mundial, cuja natureza nuclear teria consequências ainda piores das que se espera do “Mac” -indigna-se Herbert Conde, do Depto.de Estado, sem conseguir conter-se -. Teríamos não apenas incalculáveis perdas de vidas humanas, mas destruições generalizadas nas infraestruturas essenciais para a vida humana. E o pior de tudo é que a radioatividade residual poderá causar mortes por muitas décadas.

Fazendo uma pausa breve, continua:

-De qualquer maneira, acho que essa ação seria precipitada. A melhor decisão, no momento, será aguardar algum tempo, para considerar as eventuais informações recebidas por nossos agentes.

-William, qual é a sua opinião ? -pergunta o Presidente ao Secretário do Depto. de Defesa

-Eu concordo com o colega Herbert. Frank, no momento qualquer decisão é prematura. Teremos que conhecer mais sobre as características destrutivas do Mac e o resultado da ação investigativa dos nossos agentes. Naturalmente, precisamos estar preparados para lançar uma ação preventiva contra o desmantelamento das prováveis instalações produtivas do Mac por parte de países ou grupos do “eixo do mal”. É necessário definir se essa operação será realizada por nossa força aérea ou da marinha, ou ambas.

-E que diz o nosso homem da CIA -pergunta o Presidente, virando-se para o único que não se manifestara.

-É evidente -afirma John Alleg -que nossas ações dependem do resultado dos objetivos alcançados por nossos agentes, para o que precisamos dar algum tempo. Devo ainda chamar a atenção para o fato de que, pela carta suicida do Dr. Olleg, evidencia-se o conhecimento dos assaltantes de mais do que um segredo de Estado, do desenvolvimento do “Mac” e dos dados pessoais do DAE. Tudo leva a crer que há um agente inimigo inflitrado entre os funcionários desta organização. Portanto, já estamos iniciando as operações especiais para o seu desmascaramento e a sua detenção. Nesse caso, existiria a possibilidade de lhe arrancar as informações vitais que precisamos para determinar nossas ações.

-Como mencionei na reunião anterior, devido à incerteza do poder destrutivo do “Mac”, não podíamos arriscar um teste prático como o realizado por ocasião do desenvolvimento da arma nuclear -observa Dr. Frile, do DAE -, mas, a despeito da corrida contra o tempo, já construímos uma cabina especial em nossa ilha de provas (no Pacifico).

-E qual é a sua função, Dr. Frile? -perguntam todos em uníssono.

-Essa cabina veda um eventual vazamento do gás e numa fração de segundos provoca sua autoignição. Embora em uma escala muito pequena, permitirá simular um teste prático para a obtenção de informações mais reais sobre as características de impacto dessa arma. O teste será realizado na próxima semana, quando, então, terei condições de apresentar os seus resultados para nossa próxima reunião.

Apontando o indicador para o secretário que redige a ata, o Presidente conclui a reunião:

-Recapitulemos: a produção das armas “Mac” está em andamento, assim como a ação de nossos agentes para descobrir o quanto antes as atividades de países ou grupos suspeitos em construir e eventualmente disparar um “Mac”. Um teste prático do “Mac” será efetuado visando informações mais acuradas sobre o seu poder e as disposições necessárias para acionarmos a qualquer momento medidas preventivas, seja com armas convencionais, nucleares ou do próprio “Mac”. Para finalizar, devemos relaxar o estrito sigilo com relação ao desenvolvimento dessa arma, com o objetivo de dissuadir quem seja, a iniciar um conflito de envergadura.


Segunda feira , 16 de Julho, sala de reunião na Casa Branca.

Sem fazer rodeios, o Presidente inicia pontualmente a reunião:

-Senhor Frile, o senhor me ligou anteontem com novas informações do DAE. Por favor, nos relate com mais detalhes sobre essa comunicação.

-Como já antecipei na última reunião -diz o senhor Frile -, conseguimos fazer um teste-piloto prático, numa cabine especialmente construída e, através de computação, obtivemos importantes dados sobre o poder do “Mac”. Infelizmente, confirmou-se nossa impressão inicial de que a expansão do gás equivale a uma reação em cadeia, o que poderá provocar uma incalculável magnitude de extinção de vida.

O silêncio que se segue só é cortado por pigarros e um remexer nas cadeiras.

-Em segundo lugar, verificamos contra toda expectativa, que seu ponto de ignição é relativamente alto. -Prossegue, sabendo que todos esperam por sua revelação: -Em outras palavras, significa que o risco de sua autoignição é pequeno, sendo remotas as chances de provocar eventuais incêndios ou explosões. Outra particularidade é que a direção da nuvem gasosa é mais influenciada pela posição do sol do que pela atração da terra; ou seja, a movimentação da nuvem depende do horário e do lugar do disparo. Como a sua velocidade é também afetada pela direção e velocidade dos ventos, somente é possível prever as áreas e a extensão a serem atingidas, e em quanto tempo, conhecidos a hora e o lugar de seu disparo. Por outro lado, pelas razões mencionadas, e considerando a rotação da terra, essa nuvem mortal em algum momento começará a se dissipar na atmosfera e se perderá no espaço.

-Temos, portanto, que admitir que o "Mac" será considerado a maior força destrutiva já criada pelo homem! -conclui, estarrecido, o Presidente.

-Frank, em vista dessas informações insisto que temos de tomar uma ação destrutiva e fulminante sem mais demora, seja onde for -diz o responsável pelo Depto. de Guerra. -Estamos correndo o risco da destruição de, não apenas nosso país, como, quem sabe, do próprio universo! Aliás, Dr.Frile, não haveria como desenvolver um equipamento que desviasse o rumo da nuvem gasosa?

-Acho impossível e ainda em tão pouco tempo -Dr. Frile meneia a cabeça, cético. -Entretanto, já conversamos com a conhecida firma LOUSRE, especializada no desenvolvimento de vacinas, com o objetivo de tentar desenvolver, em conjunto com o DAE, um produto que permita eliminar ou atenuar os efeitos desse gás nos seres humanos. Um eventual sucesso, porém, é questionável, ainda considerando o pouco tempo disponível. Esse gás é comprovadamente muito letal, devendo provocar morte instantânea.

O Presidente dirige-se ao homem da CIA:

-John, quais são as chances de recebermos informações concretas dos nossos agentes a tempo de acionar os planos preventivos?

-Ainda julgo prematuro prever, mas temos cinquenta por cento de chances favoráveis, pois temos agentes muito capazes infiltrados nas principais organizações terroristas e países suspeitos.

-Senhores -diz o Presidente -, no momento, dependemos totalmente dessas informações. Qualquer novidade que surja, quero ser informado de imediato. Nos reuniremos na próxima segunda-feira à mesma hora, ou antes, se for o caso.

Na quinta-feira de madrugada, Frank Montan é acordado pelo telefonema do senhor Alleg da CIA, informando que receberam importantes informações da rede de agentes destacados para esse caso. Esses novos dados permitiriam à cúpula chegar a algumas conclusões.

-Muito bem, John, vamos convocar uma reunião emergencial amanhã mesmo! -determina o Presidente, totalmente desperto.


Sexta-feira, 20 de julho.

-Como vocês já sabem, a CIA está de posse de algumas informações importantes -diz o Presidente, introduzindo o motivo da reunião fora de rotina. -Então, John, conte as novidades.

-Amigos, vou resumir os dados recebidos, mas antes preciso reportar outra informação -começa John Alleg. -Estávamos suspeitando de um agente inimigo infiltrado no próprio DAE. Ao analisar detalhadamente os currículos de cada funcionário, flagramos uma irregularidade na ficha do senhor Mendez, assistente do laboratório. Ao tentarmos contatar a sua família, para checar novamente a veracidade de seus cursos educacionais, essa não foi localizada. Em nosso interrogatório, o senhor Mendez afirmou desconhecer a sua atual residência. Nessa mesma noite, suicidou-se ingerindo uma cápsula. Como no caso do Dr.Olleg, todos os funcionários do DAE estão comprometidos a manter absoluto sigilo sobre essas ocorrências.

-Bem, agora as informações recebidas de nossos agentes: Foi o Taleban quem recebeu do Dr. Olleg a fórmula para a produção do "Mac", incluindo os desenhos das instalações, equipamentos e manuais de operação para acionar o seu disparo. Também constatou-se que essa organização terrorista recebe o apoio financeiro, técnico e logístico de um pais ainda não conhecido, mas que se pressupõe seja o Irã ou a Coreia do Norte. Finalmente, como foi relatado, as instalações para a produção do "Mac" já foram iniciadas num lugar montanhoso situado no norte do Afeganistão, na província de Konduz. Também sabemos que a instalação será subterrânea, sob uma montanha. Nosso agente espera em breve ter condições de conhecer o local exato .

-Eu sabia! Sempre suspeitei deles! -rebate Herbert Conde com ar triunfal, ignorando momentaneamente a gravidade das revelações.

-Sabemos algo da acessibilidade da área de produção e dos meios de transporte de materiais e equipamentos empregados? -pergunta Paul Douglas.

-As vias de transporte são praticamente intransitáveis e, ao que consta, veículos pesados de mineração e até helicópteros têm sido utilizados para o deslocamento. Para facilitar seus voos e decolagem, estão sendo preparadas plataformas de acesso.

-Senhores -diz o Presidente -, com essas informações da CIA, chegou o momento de planejarmos e estar preparados para uma ação preventiva que elimine, pelo menos de imediato, o risco de uma ocorrência catastrófica e imprevisível. Na próxima reunião, que vamos deixar para o próximo dia 28, uma vez que antecipamos a da próxima semana, gostaria de conhecer as estratégias e também as medidas possíveis para evitar eventuais ataques do tipo "Mac". Até a próxima reunião e obrigado!


30 de julho de 2012 -Reunião na Casa Branca.

-Bem, senhores -diz o Presidente -, vamos começar com a CIA. Alguma novidade, John?

-Frank, nosso agente no Afeganistão afirma que, muito em breve, estará em condições de conhecer o ponto exato das instalações montadas para a construção do artefato do tipo "Mac" e seu lançamento. Ainda não há uma decisão sobre uma data de detonação, o que depende da determinação do país que está apoiando e viabilizando a fabricação da bomba. Aliás, há um estrito sigilo sobre a identidade desse país, comprometendo a todos os funcionários envolvidos, sob pena de morte em caso de divulgação. Outra informação importante é que esse mesmo país estaria ansioso para conhecer o poder e efeitos desse artefato, dados que deveriam ter sido passados pelo agente infiltrado no DAE, que se suicidou.

-Bem, e os preparativos para um ataque preventivo, Paul, qual seria a sua natureza? -pergunta o Presidente.


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